terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Dom Joaquim, 19 de janeiro de 2009



Depois de um final de semana folclórico fui obrigado a sair da roça que eu tanto adoro, para voltar para a cidade engolidora de tempo. Muitas e boas recordações ficaram dessas pequenas férias em meio ao casamento da prima e as sanfonadas do Tio Quinca Bessa. A melhor de todas foi a reunião dos cinco irmãos Bessa e a bateção de paiada do pós casório. Lá sim é onde quero morar: e num rancho bem moitado. Aproveitando, a reunião do povo, um escrito genealógico recorta bem as imagens das famílias Bessa e Ferreira – óia só:

Família folclórica

Criados em cima do carro de boi.
Na vaquejada
com costumes duros
Feijão cozido e farinhada
com mazurca, forró, reza
terço e fofoca: preconceitos
esse rio de gente
nesse oceano que é Minas
e sou gota dele

Uma vó Agripina
outra Juventina
Um avô Zé do Bino
outro Zé Bessa

Mas o folclore não está só nos nomes
O folclore para nessas raízes avessas

Folclórica família
Família folclórica
florida de folclores

venho de uma família folclórica
Meu sangue mineiro
Meu sangue caipira

Uma tia Sinhá Estelita
casada com João Timóteo
um tio Abel Bessa e seu bigode de tira estiloso
pai de Fernando Henrique
(homenagem ao presidente da época)

Dois tios Quincas
um sanfoneiro, outro violeiro
o violeiro: voz presente e bigode penteado
pai de filho com nome de prefeito
o sanfoneiro: uma festa de hospitaleiro
de trabalhador
pai de uma família de dar gosto

onde bate essa sanfona, esse violão, faz jorrar sorriso

Cabeça de égua afiada
pinho concentrado
influência arretada
nesse peito meu amarrotado

Família de cantadores
que não canta dores

Outro tio sanfoneiro
Expedito, Pedico
cheio de dedos e toques
deleita no fole
seus medos doces e azedos

Chora sanfona beata
Conta história pela mata
Canta história na cidade

Maria mãe minha
O pai José
Josés e Marias sobram por essas Minas
e os dessa família têm
sangue nobre, de caboclo
que paga em dia
que trabalha dias
que sorri até no findar das alegrias

A propósito: Maria Bessa casada
com Nõ de Zé do Bino

E nos dias de quermesse
E nos dias de doença que enfraquece
lá estão juntos: aquele batalhão de gente
pronto para o que der
o que vier
o que acontecer

Famílias de carapinas
de músicos
de abtolados
de introspectivos
de gente humilde
de gente brava
Minha família folclórica

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