sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Pedro Leopoldo, 08 de dezembro de 2008


Feriadão em Pedrock City. Hoje tem ensaio do show de blues, lasanha na casa do Ney, compromissos familiares e um pouco de escritos e rabiscos:



Caipira do choro sumido

Terra vermeia
Chão seco: isturricado
Mata torrada pelo sol indiabrado

Dói inté os osso de vê
A braqueara magrela
E a boiada
Boiada amuada
Amuada igual meus fio
Só pele e osso
Descarnado
Experimentado de vida
Vida safada
De bucho vazio

E vou cavano minha cova
Com as enxadada da vida
E a vida vai seno meu leito de morte
Onde findano vai minha sorte

O sabiá já inté gagueja
Pois num guenta cantá
Antonce, fraco eu escrevo
Pois já num guento nem falá

O carro de boi parado
Numa sinhora tristeza
No meio da seca marvada
Fia bastarda da mãe natureza

E o ristinho de vida
Vai acabano aos poquim
Roeno os osso fraquejado dos bacuré siquim
E o caipira já nem chora
Pois nem lágrima tem
A seca levô inté a água dos óio
E nem mais com os pensamento a terra eu móio

Vou pra otras parage
Esperano que Deus senhor santo
Arrume uas midida
Pra estancá o meu pranto
Que preso no meu peito
Me mata desse jeito
Me sufoca
Quereno saí do coração
Mas acabou-se toda água
Nas banda desse sertão
Que inté de dentro desse cabôco
Secô a úrtima gota da ilusão

Um relato da estrada

Passam por mim
Experimentam-me
Vivem-me
Sonham-me

Tem-me como trabalho, como mulher
Berço para fulanos
Bagagem para sicranos

Dou-lhes poeira que acento e torna-os grisalhos

Por mim traçam caminhos
Por mim que sou faca de gumes sutil e desdentada

Seguida e admirada passo por vidas
Pés me marcam, me cobiçam
E deliciam-se

Sou morada dos ébrios que procuram o meu fim

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